Para entender melhor como a gestão do Plano de Benefícios Plenus tem se posicionado diante dos desafios macroeconômicos que impactam o desempenho dos investimentos e quais as estratégias adotadas pela PREVHAB para garantir a sustentabilidade dos benefícios, conversamos com Marcio Miller Santos, Diretor Financeiro.
Nesta entrevista, ele detalha os ajustes na alocação de ativos, os indicadores de solvência e liquidez da entidade, e reforça o compromisso da PREVHAB com o futuro financeiro dos participantes e assistidos.
O Plano Plenus fechou 2024 com uma das maiores rentabilidades líquidas do mercado de previdência complementar fechada. Contudo, esse retorno não foi suficiente para o plano apresentar superávit técnico (ao fim do exercício, foi registrado um déficit técnico de R$ 13,10 milhões). Para 2025, a fim de manter o bom desempenho e reduzir esse déficit, houve alguma mudança significativa na alocação de ativos? Se sim, quais e por que motivos?
O ano de 2024 foi extremamente desafiador para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), devido principalmente às quedas de preços nos segmentos de ações e ativos imobiliários. Segundo o Relatório Gerencial de Previdência Complementar (RGPC) divulgado pelo Ministério da Previdência Social no dia 23/05/2025, as EFPC acumularam um déficit de R$ 9,9 bilhões. Considerando apenas os planos BD, o déficit foi ainda maior, na ordem de R$ 11,9 bilhões.
Especificamente em relação ao Plano Plenus, os recursos garantidores foram direcionados majoritariamente para o segmento de Renda Fixa, estratégia que se mantem neste ano. O cenário econômico tem se caracterizado pela adoção de política monetária contracionista, não só no Brasil, mas também na maioria das demais nações. As taxas de juros elevadas pelos Banco Centrais têm como foco principal a redução dos índices de preços, que entraram em acelerada elevação na retomada das economias após a recessão causada pela pandemia de 2020/21.
Aqui no Brasil o Banco Central elevou a taxa Selic em um ponto percentual, alcançando 14,75% ao ano. Essa foi a quarta alta consecutiva, com a intenção de conter as expectativas de inflação que permanecem desancoradas. A inflação acumulada nos últimos doze meses medida pelo IPCA está em 5,40%, com isso registra-se uma taxa real de juros superior a 8% ao ano.
Uma taxa tão elevada assim já seria suficiente para manter os recursos do Plano investidos no segmento de Renda Fixa, no entanto observa-se ainda um escalada do nível de aversão ao risco nos mercados globais, algo que deverá permanecer ou até aumentar devido à guerra comercial promovida no início deste ano pelos EUA.
E como o senhor avalia os indicadores de solvência e liquidez da PREVHAB atualmente? A entidade possui recursos suficientes para honrar seus compromissos futuros?
O controle do nível adequado da liquidez é prioridade na gestão dos recursos do plano Plenus. o que garante condições para honrar os compromissos futuros do Plano. Não há risco de insolvência. Além dos investimentos no segmento de Renda Fixa, existem ainda valores a serem recebidos vindos de precatórios pertencentes ao Plano, que provavelmente entrarão no caixa nos próximos meses. No que se refere a prazos mais longos, conta-se com os recursos atualmente alocados no segmento imobiliário, que servirão futuramente para garantir o pagamento das obrigações do Plano Plenus.
Os participantes e assistidos podem esperar alguma mudança nas taxas de contribuição ou nos benefícios futuros em função do cenário atual do Plano Plenus?
Essa questão foi respondida na pergunta anterior. A taxa de contribuição destina ao custeio administrativo e não ao custeio previdencial, uma vez que em relação aos assistidos os recursos para pagamento vitalício dos benefícios já estão constituídos na reserva matemática.
Por fim, que mensagem você gostaria de transmitir aos participantes e assistidos da PREVHAB em relação à solidez e ao futuro financeiro da entidade?
A atividade de um fundo de pensão é de longo prazo, durante o qual o equilíbrio do plano flutua, ora superavitário ora deficitário. Nos últimos 25 anos, tivemos os primeiros 20 sempre com superávit. O que tem nos afetado e responde pela reversão do resultado é a crise imobiliária.



